terça-feira, 10 de setembro de 2024

A Bug's Life

Lembro claramente da mágica de jogar "A Bug's Life" (Vida de Inseto) no PlayStation 1 do meu irmão. Não, eu não estava lá em 1998, quando o jogo lançou — afinal, eu tinha apenas dois anos. Mas, à medida que cresci, o PlayStation 1 continuou sendo o rei das nossas tardes, e esse jogo, em particular, virou uma peça chave das minhas memórias de infância. Eu adorava tudo: das cores vibrantes aos barulhinhos característicos e inesquecíveis da sonoplastia. E como não mencionar as sementes? Elas eram o coração do gameplay: você as plantava para resolver quebra-cabeças e superar obstáculos, transformando-as em folhas para pular mais alto ou plantas que lançavam ataques. Para uma criança, aquilo era pura magia e estratégia. Era simples o suficiente para que eu ficasse completamente absorta por horas a fio.

Revisitar esse jogo como adulta foi como uma viagem no tempo. Mas, ao mesmo tempo, um banho de realidade. A nostalgia bateu forte ao ouvir os sons e rever os cenários coloridos, mas bastou controlar o Flik um pouco para a mágica começar a se dissipar. Os gráficos, que um dia me pareceram incríveis, agora se mostram como uma relíquia desbotada. As texturas toscas e formas simples mal conseguem transmitir a beleza que meus olhos de criança capturavam. Na época, o jogo até foi elogiado pela sua estética colorida, mas, comparando com outros títulos da mesma época, como Toy Story 2 e Tarzan, ele claramente ficou para trás em sofisticação gráfica.

Mas ok, sabemos que a maioria dos jogos do PS1 não envelheceu bem visualmente. O verdadeiro choque veio mesmo quando eu tentei controlar o Flik. Aquilo que, na infância, parecia intuitivo e divertido, hoje se revela um pesadelo. O Flik se move como se estivesse correndo em areia movediça, com uma resposta lenta e pesada aos comandos. E a câmera? Ah, a câmera tem vida própria. Muitas vezes, ela simplesmente te deixa na mão, posicionando-se em ângulos que fazem você perder completamente a noção do cenário. Era frustrante na época e hoje é quase insuportável.

Os críticos do passado já apontavam esses problemas: jogabilidade simplificada demais e controles lentos. Mas, hoje, esses defeitos saltam ainda mais aos olhos. O que deveria ser uma experiência divertida acaba virando algo estressante. Toda vez que o Flik não respondia como eu queria, ou a câmera me deixava sem visão, o estresse ia se acumulando. Não o suficiente para desistir do jogo, mas aquele tipo de estresse que te faz suspirar fundo e seguir em frente porque, apesar de tudo, Vida de Inseto ainda tem seu charme.

E o charme está, sem dúvida, na atmosfera. A trilha sonora, mesmo não sendo tão marcante quanto as músicas do filme, ainda é reconfortante. Os efeitos sonoros e as vozes retiradas diretamente do filme ajudam a manter a imersão, criando aquela sensação de aventura leve, infantil. Mesmo com todas as limitações, os sons têm aquele quê de nostalgia que te transporta de volta para os dias de infância. A trilha em si pode não ser memorável, mas faz bem o trabalho de ambientar a ação.

Naquela época, eu nem ligava para essas frustrações. Eu só queria plantar minhas sementes e derrotar os gafanhotos. E o jogo me dava exatamente isso. Mas, jogando agora, é impossível ignorar as falhas gritantes. Ainda assim, há algo a ser dito sobre a simplicidade dos níveis. Com suas 15 fases, o jogo segue de perto os eventos do filme, até utilizando clipes do filme para avançar a história. Essa conexão com o filme era um grande atrativo para mim, uma forma de reviver a aventura de Flik.

No fim das contas, Vida de Inseto tem um lugar garantido no panteão dos jogos que marcaram minha infância. Ele pode não ser tecnicamente impressionante ou sofisticado, mas carrega uma importância emocional que é difícil de ignorar. Embora os gráficos e a jogabilidade não tenham resistido ao teste do tempo, o coração do jogo está lá. Ele pode não ser um clássico imortal, mas para quem cresceu com ele, será sempre lembrado com carinho. 

NOTA:
6
/10

Earthbound

Imagine que você está caminhando por uma cidadezinha tranquila, onde o sol brilha e as risadas das crianças ecoam pelas ruas. É tudo tão familiar, quase como uma memória acolhedora de um tempo que você nem se lembra direito. Mas, de repente, as coisas mudam. As cores ao seu redor começam a se distorcer, o céu ganha tons neon impossíveis, e as pessoas começam a falar coisas que não fazem o menor sentido. Esse é o ponto de partida de EarthBound, um jogo que constantemente te surpreende e te joga em uma jornada onde o cotidiano se mistura com o surreal, o familiar com o completamente bizarro.

Lançado em 1994 no Japão como Mother 2 e trazido para o ocidente em 1995 como EarthBound, esse jogo faz parte de uma série que se destaca pela sua abordagem nada convencional aos RPGs. Enquanto o primeiro Mother já introduzia essas ideias, foi em EarthBound que o estilo único da série realmente se solidificou. Um misto de humor, mistério e uma profundidade emocional que ninguém esperava. Na época, o jogo não fez tanto sucesso fora do Japão, mas com o tempo ele se tornou um clássico cult, com uma legião de fãs que até hoje explora seus mistérios e teorias.

O que faz EarthBound ser tão especial é o jeito como ele desafia as convenções. Enquanto outros RPGs da época te levavam para mundos cheios de dragões e cavaleiros, EarthBound te coloca em uma espécie de paródia de subúrbio americano. Aqui, crianças usam tacos de beisebol e ioiôs como armas, e você enfrenta inimigos como hippies furiosos e robôs alienígenas. Mas o jogo não é estranho por ser estranho. Ele tem uma narrativa densa, cheia de emoções, que fala sobre amadurecimento, perda da inocência e o confronto com o desconhecido.

Uma das maiores forças de EarthBound está na construção do seu mundo. O jogo faz você sentir que está sempre prestes a vivenciar algo extraordinário. Desde a tranquilidade das ruas de Onett até as paisagens surreais de Moonside, onde as cores são invertidas e a lógica não faz sentido, o jogo te envolve em um universo que te faz rir com seu humor excêntrico, mas também te assusta com suas estranhezas. Personagens como o Mr. Saturn e os habitantes de Saturn Valley são exemplos perfeitos dessa mistura entre o inocente e o perturbador.

E então chegamos a Giygas, um dos vilões mais perturbadores da história dos videogames. Ao contrário de outros vilões que têm motivações claras, Giygas é o caos puro, uma força destrutiva sem forma física, que desafia qualquer explicação. A batalha final contra Giygas é, sem dúvida, uma das mais desconcertantes. A música distorcida, os visuais caóticos e a sensação de impotência que o jogo te passa criam uma experiência de terror psicológico única. A famosa frase “Você não pode compreender a verdadeira forma do ataque de Giygas” ecoa perfeitamente a desorientação que permeia toda essa luta.

Essa batalha não é só o desafio final, como também o auge de uma jornada emocional e psicológica. Ness e seus amigos — Paula, Jeff e Poo — começam o jogo como crianças comuns, mas ao longo da aventura eles enfrentam muito mais do que apenas monstros. Eles encaram seus próprios medos e dúvidas. Em Magicant, Ness precisa confrontar as partes mais profundas de sua mente, em uma sequência que é tanto introspectiva quanto devastadora.

A trilha sonora de EarthBound também é fundamental para criar a atmosfera do jogo. Ela alterna entre melodias nostálgicas e sons desconfortantes, especialmente nos momentos mais críticos. Durante o confronto com Giygas, a música atinge um ponto de tensão insuportável, aumentando a sensação de que você está lutando contra algo incompreensível.

Apesar de todo o mistério e escuridão, EarthBound consegue ser incrivelmente engraçado. Seu humor é excêntrico, cheio de referências à cultura pop ocidental, como os Beatles, e quebra a tensão em momentos-chave, criando um equilíbrio perfeito entre o leve e o sombrio. Os diálogos absurdos com NPCs e as situações imprevisíveis te mantêm constantemente envolvido.

*
Curiosidade!
Para os fãs mais dedicados, que já zeraram EarthBound incontáveis vezes, existe uma solução para trazer um frescor à jogatina: o EarthBound Randomizer. Essa ferramenta online te dá a opção de embaralhar tudo no jogo — de itens a inimigos e até mesmo os cenários!

No fim das contas, EarthBound é uma experiência única, que mistura o surreal e o emocional de uma maneira que poucos jogos conseguem. Ele te desafia a abandonar suas expectativas e te convida a mergulhar em um mundo onde o familiar e o desconhecido estão sempre colidindo. Ao mesmo tempo em que te faz rir, ele te deixa inquieto, e é isso que garante que EarthBound continue sendo uma experiência inesquecível — um jogo que não só desafia as regras dos RPGs, mas transcende os limites do próprio gênero.

NOTA:
7
/10

Trilogia Bioshock

Imagine se deparar com uma cidade submersa, perdida nas profundezas do oceano. Rapture, de longe, já te impressiona com sua grandiosa arquitetura em art déco – um estilo dos anos 1920 e 1930 que combina formas geométricas, linhas retas e luxo – e seus neons piscando no meio da destruição. Mas o que realmente te envolve é o clima opressivo, quase claustrofóbico, que te cerca a cada passo. Logo você percebe que essa cidade, que um dia foi uma utopia vibrante, é agora um pesadelo. No começo, há uma certa beleza, um ar de fascínio, mas, conforme você explora, entende que essa fachada esconde uma realidade brutal e sombria. O perigo está sempre presente.

Os antigos habitantes de Rapture, deformados e consumidos por sua obsessão com o ADAM, a substância que dá poderes sobre-humanos, rondam os corredores. Você ganha acesso a esses mesmos poderes, que te permitem controlar fogo, eletricidade, ou até a mente dos seus inimigos. Mas essa sensação de poder nunca dura muito. Rapture é um lugar onde o poder corrompe tudo, e o jogo faz questão de te lembrar disso o tempo todo, equilibrando as habilidades que você adquire com a constante falta de recursos e a presença de inimigos implacáveis. Aqui, o poder tem um custo, e isso repercute em cada decisão que você toma.

À medida que você avança, a cidade começa a revelar suas camadas mais complexas. Bioshock é uma obra de arte não só visual, mas narrativa. A história não é entregue de bandeja — você precisa explorá-la, coletar fragmentos de informações, ouvir gravações deixadas para trás, entender os motivos por trás da ascensão e queda de Rapture. E mesmo depois de terminar o jogo, a trama permanece com você, instigando perguntas. Mesmo após zerar o jogo, é interessante recorrer a vídeos para compreender completamente o enredo, que brinca com conceitos de livre-arbítrio, controle e moralidade. O famoso "Would you kindly?" ("Poderia, por gentileza?") é um exemplo perfeito de como o jogo te faz questionar se você realmente está no controle ou apenas seguindo um roteiro cuidadosamente desenhado.

Mas é a estética de Bioshock que realmente me fascina. Poucos jogos conseguem criar uma atmosfera tão envolvente quanto essa saga. A ambientação de época, encharcada de retrofuturismo, te transporta para outra realidade, ao mesmo tempo bela e decadente. Cada detalhe, desde a arquitetura até a trilha sonora, foi feito para te imergir completamente nesse mundo. É o tipo de estética que eu, pessoalmente, considero incomparável. Rapture, com suas influências dos anos 1930, é uma mistura perfeita de sonho e pesadelo, onde o luxo e a degradação andam lado a lado. Poucos jogos chegam perto dessa combinação única, talvez apenas a estética da saga Fallout, mas Bioshock traz uma elegância sombria que é difícil de superar.

Se Rapture é uma metáfora da corrupção pela ambição e pela ganância, Columbia, cenário de Bioshock Infinite, revela uma face diferente, mas igualmente perturbadora. Ao contrário da cidade submersa, Columbia flutua nos céus, com suas ilhas suspensas e festividades patrióticas. Mas logo ao tocar o chão, você percebe que essa cidade, que parece saudar o esplendor do American Dream, é um lugar profundamente opressivo, onde o racismo e o fanatismo religioso governam. A história de Bioshock Infinite se desenrola de maneira frenética, com combates dinâmicos em trilhos aéreos, e uma narrativa que se aprofunda em universos paralelos e escolhas morais. Elizabeth, sua companheira na jornada, é mais do que uma simples ajudante — ela tem o poder de abrir fendas para outras realidades, e cada ação que ela realiza pode mudar o curso da história. Isso traz uma sensação de mistério e urgência que faz de Columbia um lugar tão fascinante quanto Rapture, mas de um jeito completamente diferente.

Ainda assim, é impossível ignorar o quão central é a estética nessas cidades. Columbia, com sua estética vitoriana e futurista, também tem uma beleza visual que contrasta violentamente com o horror político e social que permeia cada esquina. As ruas ensolaradas e os desfiles patrióticos são apenas uma máscara para uma sociedade profundamente desigual e segregada, onde aqueles que vivem à margem lutam por sobrevivência. É um ambiente deslumbrante, mas traiçoeiro, onde cada detalhe revela as rachaduras de uma civilização que se esconde atrás de ideais falsos.

Voltando a Rapture, especialmente em Bioshock 2, há uma profundidade emocional ainda mais evidente, com a dinâmica entre as Little Sisters e os Big Daddies. Esses gigantes, que antes pareciam ser apenas monstros, revelam uma relação profundamente simbólica com as Little Sisters, as crianças que eles protegem com tudo o que têm. A psicologia por trás dessa relação vai além do simples "bem contra o mal". Em Bioshock 2, você assume o papel de um Big Daddy, e a sensação de vulnerabilidade emocional ao proteger uma Little Sister adiciona uma nova camada de complexidade ao jogo. Essas figuras, que antes pareciam só brutamontes violentos, se transformam em seres trágicos, presos numa existência de proteção e obediência cega, enquanto as Little Sisters, manipuladas e corrompidas, vagam pelas ruínas de Rapture em busca de ADAM. Essa dinâmica é central e toca em questões de dependência, proteção e perda de inocência.

Essa carga emocional, misturada à estética única e à profundidade da história, é o que torna Bioshock uma série tão única e insubstitível. Não é apenas um jogo de tiro ou um exercício de exploração — é uma experiência filosófica, onde você é constantemente desafiado a questionar suas próprias escolhas, ao mesmo tempo em que se perde em cenários de tirar o fôlego. Ao final, o que fica não são apenas as batalhas ou os poderes que você conquistou, mas a reflexão sobre poder, controle, moralidade e a fragilidade das utopias.

Antes de finalizar, tem algo que eu levei um tempo para entender e quero explicar, que é a diferença entre ADAM, EVE e Plasmids. O ADAM é a pedra-angular de Rapture, pois é ele que permite que você mude sua genética. Já os Plasmids são as habilidades especiais em si, como lançar fogo, eletricidade ou mover objetos com a mente. O problema é que o ADAM só pode ser conseguido através das Little Sisters, meninas transformadas pela substância. Aqui está o dilema: você pode salvá-las ou sacrificá-las, e isso afeta a quantidade de ADAM que você terá, além de influenciar o final do jogo.

O EVE, por sua vez, é o que "carrega" os Plasmids, funcionando como a energia que os alimenta. Toda vez que você usa uma habilidade, como dar um choque ou manipular algo, o EVE é consumido rapidamente. Se ele acabar, você não consegue usar essas habilidades até conseguir mais. Isso te força a pensar o tempo todo se vale a pena usar um poder agora ou guardar para depois. No fim, o jogo é sobre equilibrar o uso do ADAM e do EVE. Quanto mais poder você quer, mais caro isso sai, seja em recursos ou em escolhas morais. E é justamente esse equilíbrio entre sobrevivência e corrupção que torna a experiência de Bioshock tão única.

De todo modo, mesmo que você consiga chegar ao fim da trilogia, é provável que algumas questões ainda fiquem na sua cabeça. É o tipo de jogo que te leva a buscar respostas, seja revendo gravações que você encontrou no jogo ou assistindo vídeos explicativos para compreender as camadas mais profundas da trama. Bioshock te deixa pensando por muito tempo depois que os créditos finais rolam — e isso, para mim, é o que define uma verdadeira obra-prima.

NOTA:
10
/10

domingo, 8 de setembro de 2024

A história dos videogames no Brasil

Que o Brasil não é para amadores, a gente já sabe. Agora, se tem uma história que ilustra isso com perfeição é a saga dos videogames no país, uma jornada movida a pirataria, contrabando e, claro, muito improviso. Nos anos 80 e 90, enquanto o resto do mundo se recuperava do crash dos videogames de 1983 e tentava entender o que deu errado, o Brasil seguia outro caminho, quase que em um universo paralelo. Por aqui, não tinha crise que segurasse a galera, e se os jogos não chegavam oficialmente, a gente dava um jeito. Nasciam então os consoles piratas, os clones e as locadoras de jogos, que viraram verdadeiros templos para os gamers de plantão.
O Brasil, naquela época, estava longe de ser o mercado estruturado que vemos hoje. O país vivia sob a ditadura militar, e as políticas de importação eram rígidas. Importar um console? Praticamente impossível. Mas, como dizem por aí, "a necessidade é a mãe da invenção". Foi assim que surgiram os clones do Atari, como o Top Game, e a famosa pirataria começou a ganhar forma. A Gradiente, sempre ousada, liderou essa onda ao lançar o Phantom System, um clone do Nintendo que se tornou um sucesso absoluto por aqui, rodando os mesmos jogos e, em alguns aspectos, até superando o original. Já a TecToy, que também não estava de brincadeira, fez história ao representar oficialmente a Sega no Brasil e ao adaptar jogos clássicos para o público brasileiro. De um lado, a pirataria corria solta, e do outro, o Brasil construía seu próprio império gamer, ainda que na base da malandragem.
A febre dos anos 90 não pode ser contada sem mencionar dois jogos que marcaram uma geração inteira: Super Mario World e Ultimate Mortal Kombat 3. Quando Super Mario World chegou ao Brasil em 1993, junto com o Super Nintendo (trazido pela Playtronic em uma parceria com a Gradiente e a Estrela), ele já era um sucesso mundial, mas por aqui ele virou quase uma religião. Quem não lembra de passar horas tentando descobrir todos os segredos do mundo do Mario, coletando cogumelos verdes e penas, e andando pelas costas do Yoshi? O jogo trouxe uma jogabilidade inovadora, com caminhos alternativos e fases secretas que pareciam nunca ter fim. Além disso, era o primeiro contato de muitos brasileiros com o Super Nintendo, que era tão desejado que as crianças sonhavam com ele antes mesmo de seu lançamento oficial.
Por outro lado, nos fliperamas, quem dominava era Ultimate Mortal Kombat 3 (UMK3). O jogo de luta, com seus gráficos impressionantes para a época e seus fatalities icônicos, virou febre entre os jovens. Não tinha um fliperama em que não rolassem desafios épicos, com cada jogador tentando provar sua superioridade com Scorpion, Sub-Zero ou Liu Kang. Era um fenômeno: UMK3 lotava as locadoras e os fliperamas de todo o país, e quem conseguisse dar o famoso "Finish Him!" com perfeição ganhava o respeito eterno da galera. O jogo se tornou um símbolo dos anos 90, e até hoje é lembrado com carinho por aqueles que viveram essa época de ouro dos games.
Agora, não dá para contar essa história sem mencionar a relação quase obsessiva que a geração dos anos 90 tinha com os videogames. A coisa era tão intensa que a televisão chegou a fazer reportagens sobre a febre dos jogos no Brasil. As crianças passavam horas grudadas na tela, imersas em mundos que só existiam nos jogos. A solidão, os desafios e a concentração eram parte do pacote. Era um universo em que a morte não era o fim, e sim uma chance de tentar de novo – quantas vezes fosse necessário. Afinal, na vida real, a gente não pode reiniciar o jogo, mas no mundo dos videogames, essa era a regra de ouro. Quem jogava sabia que, para chegar ao final, era preciso morrer várias vezes e aprender com cada erro.
E, se você achava que a coisa toda se limitava aos consoles e fliperamas, é bom lembrar que nos anos 90, o Brasil também assistia ao crescimento das locadoras de games, que se tornaram um ponto de encontro dos jogadores. Essas locadoras eram o coração pulsante da cultura gamer, onde a galera se reunia para alugar fitas de jogos ou disputar campeonatos. No meio disso tudo, os pais também entraram na jogada. Em uma época em que manuais de instrução estavam em inglês e as crianças não sabiam ler direito, os adultos acabavam ajudando, lendo as instruções e, muitas vezes, jogando junto com os filhos, numa união quase sagrada entre gerações.
A verdade é que a história dos videogames no Brasil é sobre resiliência e criatividade. A gente nunca esperou as coisas caírem no nosso colo – a gente foi lá e fez acontecer, nem que fosse no improviso. Seja com um clone do Atari, com Super Mario World no Super Nintendo, ou com as lutas épicas de Ultimate Mortal Kombat 3, o Brasil construiu seu próprio caminho no mundo dos games, e até hoje essa história inspira e motiva uma nova geração de jogadores e desenvolvedores que seguem reinventando as regras. Porque, no fim das contas, jogar videogame no Brasil nunca foi só sobre diversão – foi sobre encontrar uma maneira de fazer parte de algo maior, mesmo quando as cartas estavam todas contra nós.

sábado, 31 de agosto de 2024

Worlds

No vasto e enigmático universo dos jogos digitais, existem títulos que se destacam não apenas pela jogabilidade ou gráficos, mas pelo mistério que os envolve. Esses jogos, muitas vezes chamados de abandonware ou lostware, são verdadeiras relíquias esquecidas de uma era digital que já passou, guardando dentro de si segredos não contados, histórias que se perderam no tempo e uma atmosfera peculiar que só quem se atreve a explorá-los pode compreender.
Worlds, lançado em 1995, é um desses exemplos. Mais do que um simples jogo, ele é uma cápsula do tempo, um portal para uma internet que já não existe mais. Criado originalmente como parte de um projeto visionário, ele sobrevive até hoje, praticamente inalterado, oferecendo uma experiência que mistura nostalgia com uma estranha sensação de inquietação. Há algo de melancólico em navegar por seus mundos, como se estivéssemos explorando uma cidade fantasma digital, onde cada canto pode revelar uma construção monumental ou um NPC solitário, vestígios de uma era de ouro que já passou.
Explorar Worlds é desbravar os confins de um mundo digital abandonado, onde o tempo parece ter parado e cada canto esconde uma nova surpresa ou um vestígio de um sonho tecnológico que nunca se concretizou totalmente. Este é o fascinante mundo dos jogos esquecidos, onde Worlds se destaca como um verdadeiro enigma a ser descoberto, com seus segredos e histórias escondidas esperando para serem desenterrados, uma espécie de arqueologia virtual.
O Worlds está online desde 1995, e apesar de ter sido praticamente abandonado há muitos anos, sobrevive como uma cápsula do tempo da internet dos anos 90. Como um precursor do Second Life, o Worlds é uma plataforma onde os jogadores podem explorar milhares de mundos criados por outros usuários. Muitos desses mundos estão vazios ou são secretos, aguardando para serem descobertos por aqueles que se aventuram. Nesses espaços, você pode encontrar desde cidades gigantescas até estranhos cultos digitais, como o suposto culto, que, embora tenha sido desmascarado como um mito, ainda alimenta a imaginação daqueles que se atrevem a explorar os lados mais sombrios do jogo. Falaremos disso já já.
A comunidade que ainda frequenta o Worlds é pequena, composta por um punhado de veteranos que permanecem desde os anos 90, muitos dos quais ajudaram a transformar essa relíquia em um estranho espaço de experimentação social e digital. A persistência desses poucos jogadores em manter vivos seus mundos digitais, mesmo décadas após o auge do jogo, confere ao Worlds um status quase mítico entre os exploradores do passado digital.
A história do suposto culto no Worlds gira em torno de uma figura misteriosa conhecida como Nexialist. A partir de fóruns como 4chan e de vídeos no YouTube, surgiram rumores de que ele liderava um culto sinistro dentro do jogo, onde atraía novos jogadores para áreas repletas de símbolos satânicos e mensagens perturbadoras. A lenda conta que ele suspostamente guiava os jogadores para ambientes assustadores, transmitindo sons bizarros, como animais agonizando, e usando um avatar sinistro que alimentava ainda mais o mistério. Para muitos, essa narrativa parecia ser o cenário perfeito de uma história de horror virtual, especialmente em um jogo já marcado por sua atmosfera inquietante e melancólica.
Conforme a lenda crescia, Nexialist passou a ser considerado uma figura mítica, com teorias sugerindo que ele usava o jogo para liderar um culto na vida real. Os jogadores mais antigos inventavam relatos de que Nexialist possuía o poder de hackear o jogo e fazer com que os jogadores digitassem coisas sem que percebessem. Essa história contribuiu para a criação de um submundo dentro do Worlds, onde os rumores sobre cultos, satanismo e atividades estranhas se espalharam, gerando um fascínio mórbido entre os curiosos que queriam explorar essas lendas por conta própria. Muitos blogs e vídeos da comunidade até hoje mantêm viva a mística em torno de Nexialist. Talvez seja exatamente isso que ainda leve centenas de internautas a se cadastrarem no jogo todos os meses, em busca do mistério. 
No entanto, ao aprofundar a investigação, a maior parte dessas histórias foi desmascarada como meros mitos urbanos. O fato é que não há quaisquer evidências concretas de que Nexialist ou qualquer outro jogador esteja envolvido em cultos reais ou atividades ilegais. Na realidade, parece que Nexialist era apenas um jogador que gostava de pregar peças assustadoras nos novos exploradores do Worlds, criando um ambiente sombrio como parte de uma performance. Embora tenha gerado muitos rumores, ele mesmo já negou a existência de qualquer culto, e análises mais detalhadas sugerem que seu objetivo era apenas assustar os jogadores e ganhar notoriedade na internet. Essas lendas são parte da rica mitologia que os próprios jogadores criaram ao longo dos anos, contribuindo para o fascínio contínuo em torno do Worlds.
Originalmente, o jogo teve início como parte de um projeto chamado Starbright World, desenvolvido para ajudar crianças com deficiência a interagirem online. No entanto, com o passar dos anos, essa utopia digital foi corrompida por elementos mais sombrios, incluindo mundos gerados com conteúdo bizarros ou até mesmo pornográficos (embora esses últimos sejam mundos privados).
O criador e atual proprietário do Worlds, Thom Kidrin, é uma figura conhecida no mundo dos negócios, principalmente por sua reputação como um "troll de patentes". Ele mantém o Worlds ativo não apenas por nostalgia, mas também para reforçar sua posição em disputas legais sobre patentes de tecnologias de ambientes 3D. Esses processos são sua principal fonte de renda, mantendo o Worlds funcionando enquanto ele busca indenizações de gigantes da tecnologia como Blizzard e Linden Lab.
Entretanto, Kidrin parece alheio ao que realmente se passa dentro do Worlds. A plataforma, que um dia foi um símbolo de esperança digital, se transformou em um local de supostos "cultos" virtuais e submundos escuros, onde a linha entre ficção e realidade se torna perigosamente tênue.
Há rumores de que Kidrin, ou alguém próximo a ele, pode estar por trás de figuras notórias como Nexialist, mas essas teorias são difíceis de confirmar e, na maioria das vezes, parecem não passar de lendas urbanas alimentadas pela imaginação dos jogadores. Independentemente disso, o Worlds continua a ser um exemplo impressionante de como o tempo pode parar em uma parte esquecida da internet, deixando para trás um rastro de mistério e nostalgia que ainda fascina aqueles que ousam explorar seus confins.
NOTA:
6
/10

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Pokémon Vortex

O jogo de hoje é para aqueles mais nostálgicos, que cresceram assistindo Pokémon. Muito provavelmente, considerável parcela da geração Zillenial,* assim como eu – e uma boa parte dos Millennials também. Nós assistíamos ao famoso desenho/anime, seja no Cartoon Network, seja no programa da Eliana na TV aberta... Assistimos ao filme "Pokémon: 2000", que nos fez chorar naquela fatídica cena do Pikachu chorando pelo Ash... Muitos de nós, assim como eu, não tínhamos condições de comprar aqueles Game Boys e Nintendo DS, os videogames de bolso da época.
*
A geração Zillennial (1992 – 2002) é uma microgeração que se situa entre os Millennials (1981 – 1996) e a Geração Z (1997 – 2012). Não há um consenso rígido sobre suas datas exatas. Esta microgeração compartilha características de ambas as gerações adjacentes, vivendo a transição de um mundo predominantemente analógico para um digital.
Antes de mergulharmos no universo de Pokémon Vortex, é fundamental compreender suas raízes no Pokémon Crater, um jogo de navegador que marcou época entre os fãs de Pokémon. Criado por Kyro e lançado em 2007, Pokémon Crater permitia capturar, treinar e batalhar com mais de 400 Pokémon oficiais, além de várias exclusividades. Este pioneiro dos browsing games se destacou pela sua comunidade robusta e complexidade, proporcionando aos jogadores uma plataforma para se conectarem e jogarem juntos online, sem a necessidade de um console. Embora tenha sido encerrado em 2009, o Pokémon Crater deixou um legado duradouro e boas memórias.
Lembro-me bem de jogar Pokémon Crater durante as férias na praia, usando um celular que, na época, era considerado avançado. Não era nem um smartphone propriamente dito, mas ainda assim, conseguia acessar a internet e, com muita dificuldade e um sinal 3G bem ruim, eu jogava Pokémon Crater nas praias. Boas memórias...
Pokémon Crater
Pokémon Vortex surge como o sucessor espiritual do Pokémon Crater – o seu reboot –, trazendo nova vida ao conceito original. Este RPG online gratuito permite capturar, treinar e evoluir uma diversidade de Pokémon diretamente no navegador, mantendo a acessibilidade sem a necessidade de downloads ou instalações pesadas. Embora tenha algumas limitações gráficas e de complexidade em comparação aos jogos modernos, essa simplicidade adiciona um charme nostálgico. Pokémon Vortex ainda introduz variantes especiais de Pokémon, cada uma com características distintas, oferecendo uma nova camada de estratégia e diversão.
*
Disclaimer: O Pokémon Vortex Wiki é inteiramente em inglês, o que pode ser uma limitação significativa para quem não domina o idioma. No entanto, essa pode ser uma excelente oportunidade para aprender o básico do inglês, ou você pode usar ferramentas como o Google Tradutor para facilitar a compreensão do conteúdo.
O que é
Vamos direto ao ponto: Pokémon Vortex é um RPG online gratuito onde você pode capturar, treinar e batalhar com Pokémon diretamente no navegador. Para quem cresceu acompanhando a franquia Pokémon, esse jogo é uma verdadeira viagem no tempo, trazendo aquela sensação gostosa de colecionar, treinar e desafiar outros treinadores. Claro, ele tem suas limitações, especialmente no que diz respeito aos gráficos e à profundidade das mecânicas, se compararmos com os jogos mais recentes da série principal. Mas é exatamente essa simplicidade que cativa e remete à experiência original que tantos de nós adorávamos.
O charme de Pokémon Vortex está na sua acessibilidade, por ser um jogo de navegador (browsing game). Basta um navegador e você já está dentro, sem downloads ou complicações. Isso faz dele o companheiro perfeito para momentos de nostalgia, seja durante uma pausa no trabalho, seja enquanto espera por algo. Além disso, a introdução de variantes especiais de Pokémon – Dark, Mystic, Shiny, Metallic e Shadow – adiciona um toque de estratégia e mantém o jogo interessante para quem gosta de explorar as diferentes possibilidades de batalha.
Cadastrando-se e Começando
O primeiro passo é criar uma conta no site oficial. Escolha seu Pokémon inicial – uma decisão que sempre traz aquele friozinho na barriga, mesmo depois de tantos anos – e, em seguida, compre algumas pokébolas na loja do jogo. Daí, é só partir para a opção "Explorar", que é onde a mágica acontece. Nos mapas, você pode caçar Pokémon selvagens e interagir com outros jogadores online. Uma dica: não se esqueça de logar diariamente para ganhar recompensas automáticas, como itens, dinheiro do jogo e até mesmo Pokémon raros.
Capturando Pokémon
A captura de Pokémon em Pokémon Vortex é simples, mas não menos emocionante. Explorar os diferentes mapas em busca dos seus monstrinhos favoritos traz aquele velho espírito de aventura. Para capturar, basta enfraquecer o Pokémon adversário antes de lançar uma Poké Ball. O jogo ainda conta com as desejadas Master Balls, que garantem a captura instantânea – mas, claro, são raras e devem ser usadas com sabedoria. O ciclo de dia e noite nos mapas também influencia quais Pokémon aparecem, o que acrescenta uma camada de estratégia à exploração.
Treinamento e Batalhas
No Pokémon Vortex, todas as batalhas são sempre contra a máquina, mesmo quando você está enfrentando equipes de outros jogadores. Isso significa que você pode desafiar qualquer equipe a qualquer momento, sem depender de oponente estar online. Esse sistema oferece flexibilidade, permitindo que você enfrente qualquer treinador ou líder de ginásio quando quiser, sem interrupções.
Mecânica das Batalhas: As batalhas seguem as regras básicas dos jogos Pokémon, com vantagens de tipos, ataques e estratégias familiares. No entanto, como a IA controla sempre o oponente, você pode se preparar de forma mais estratégica, conhecendo os padrões de ataque e defesa da equipe adversária. Usar itens durante as batalhas, como poções, é crucial para manter seus Pokémon em combate, garantindo que eles continuem ganhando experiência e evoluindo sem desmaiar.
Vantagens das Batalhas PVM (Player vs. Machine): Como todas as batalhas são contra a IA, isso remove o elemento imprevisível do comportamento humano, permitindo que você refine suas estratégias ao máximo. Você pode testar combinações de times, treinar novos Pokémon e enfrentar diferentes desafios sem a pressão de uma resposta humana. Isso torna o jogo mais acessível e focado no desenvolvimento de suas habilidades e equipe.
Sidequests e Recompensas: As sidequests no Pokémon Vortex são uma série de batalhas predefinidas que oferecem recompensas valiosas, como Fossils, Mega Stones e até mesmo Pokémon raros que não são encontrados em outros lugares. Completar uma série de sidequests em uma região pode render itens poderosos e avatares exclusivos. Essas sidequests são essenciais para fortalecer sua equipe e obter recursos raros, sendo um desafio constante para jogadores que buscam completar suas coleções.
Eventos Sazonais: Pokémon Vortex também organiza eventos sazonais que oferecem a chance de capturar Pokémon exclusivos ou variantes raras, como o Scyther (Halloween) ou o Arceus (Dark). Participar desses eventos é uma excelente forma de obter Pokémon únicos e aproveitar bônus temporários, como experiência dobrada ou recompensas extras em batalhas.
Tipos de Pokémon e Suas Características
Em Pokémon Vortex, existem quatro tipos de variantes especiais de Pokémon, cada uma com suas próprias características únicas que impactam a estratégia de batalha. Essas variantes são: Dark, Shiny, Mystic, Metallic e Shadow. A seguir, explico brevemente as peculiaridades de cada tipo:
  • Pokémon Dark: Possuem 25% a mais de poder de ataque. Excelentes para ofensivas rápidas, são ótimos para derrubar oponentes rapidamente.
  • Pokémon Shiny: Têm 25% a mais de HP. Ideais para estratégias defensivas ou para batalhas prolongadas onde a durabilidade é crucial.
  • Pokémon Mystic: Possuem uma chance de assustar o oponente, forçando-o a errar ataques. Ótimos para criar oportunidades em batalhas onde cada golpe perdido pelo adversário pode ser decisivo.
  • Pokémon Metallic: Têm 25% a mais de defesa. Perfeitos para absorver dano, tornando-se úteis em lutas contra adversários mais fortes ou em combates de resistência.
  • Pokémon Shadow: São imunes a efeitos de status como envenenamento, paralisia ou queimadura. Ideais para batalhas onde o oponente depende de causar status negativos para vencer.
Exploração de Mapas
Os mapas são vastos e diversificados, com áreas que vão desde grama alta até cavernas e rios. A alternância entre dia e noite, além das condições climáticas, influencia diretamente quais Pokémon podem ser encontrados, o que torna a exploração uma experiência dinâmica e imprevisível. Para os mais dedicados, anotar onde e quando os Pokémon lendários aparecem é uma estratégia que vale a pena.
Os mapas de Pokémon Vortex são vastos e variados, com Pokémon diferentes aparecendo dependendo da hora do dia ou do tipo de ambiente, como cavernas, florestas ou áreas aquáticas. Explorar esses mapas é essencial para encontrar Pokémon raros e lendários. Além disso, alguns Pokémon só aparecem em condições específicas, como durante o dia ou à noite, exigindo uma exploração cuidadosa para completar sua Pokédex.
Se você está procurando um Pokémon específico em Pokémon Vortex e quer saber exatamente onde encontrá-lo, o Pokémon Vortex Wiki oferece uma lista detalhada de todos os Pokémon e suas respectivas localizações. Esse guia é extremamente útil para ajudar na exploração dos mapas do jogo e maximizar suas chances de capturar os Pokémon que você ainda não tem. Confira no link a seguir: Lista de Pokémon por Localização.
Ginásios e Ligas em Pokémon Vortex
Se você está atrás dos Pokémon mais raros e lendários no Pokémon Vortex, aqui vai a dica: antes de sair explorando os mapas, você precisa derrotar todos os líderes de ginásio e a Elite 4 de cada região. Só assim você ganha a Insígnia ("Ribbon") daquela região, o que libera a aparição dos Pokémon lendários nos mapas.
Funciona assim: cada região (Kanto, Johto, Hoenn, etc.) tem seu próprio conjunto de ginásios e uma Elite 4. Depois de derrotar todos os ginásios e a Elite 4 de uma região, você desbloqueia a chance de encontrar os Pokémon lendários daquela região. Por exemplo, quer capturar um Mew? Primeiro, vença todos os ginásios de Kanto para conseguir a Insígnia de Kanto. Com a Insígnia em mãos, os lendários começam a aparecer enquanto você explora os mapas.
Então, antes de correr atrás dos seus Pokémon favoritos, certifique-se de estar com as Insígnias certas. É só vencer os líderes de ginásio e a Elite 4, e o mundo de Pokémon Vortex abre as portas para os lendários mais incríveis do jogo.
Loja do Jogo
A Pokémon Vortex Store oferece uma variedade de itens que são essenciais para o progresso no jogo. Aqui você pode comprar Pokébolas, Pedras Evolutivas, Poções e outros itens importantes que ajudam a fortalecer seus Pokémon e avançar nas batalhas. Além disso, é possível adquirir Caixas Misteriosas e Chaves, que podem conter itens raros ou até mesmo Pokémon exclusivos.
Feira Livre (Trade Market)
A Feira Livre, ou Trade Market, é um dos locais mais ativos do jogo, onde você pode comprar Pokémon de outros jogadores. Este é o lugar ideal para obter Pokémon raros, variantes exclusivas como Shiny ou Metallic, e até mesmo negociar lendários que são difíceis de capturar. A comunidade é bastante ativa, e as negociações podem ser uma maneira eficiente de completar sua coleção.
Macete do Nível 100
Para upar seus Pokémon até o level 100 rapidamente em Pokémon Vortex, a estratégia mais eficaz continua sendo o lutar contra as contas de treino, especialmente aquelas que exploram as imunidades de tipo. Com essas contas, você enfrenta equipes que não conseguem causar dano aos seus Pokémon, facilitando o treinamento e garantindo uma evolução rápida.
Essas contas de treino são configuradas para que seus Pokémon, especialmente os com imunidade de tipo, possam batalhar sem receber dano, maximizando a experiência ganha por batalha. Isso torna o processo de upar para o level 100 não apenas mais rápido, mas também muito mais eficiente.
Contas de Treino por Tipo
  • Dark: Use contas como TrainingDark, onde os ataques psíquicos não afetam Pokémon do tipo Dark.
  • Flying: Contas como TrainingFlying são perfeitas, pois os ataques de tipo Ground não afetam Pokémon Flying.
  • Ground: TrainingGround é ideal, pois Pokémon do tipo Ground são imunes a ataques elétricos.
Pokémon Vortex Wiki
Se você joga Pokémon Vortex e quer dominar o jogo, o Pokémon Vortex Wiki é o seu melhor aliado. Esse wiki funciona como um banco de informações completo, cobrindo tudo o que você precisa saber para avançar no jogo, desde as mecânicas básicas até detalhes mais avançados.
Aqui estão alguns dos principais tópicos que o Pokémon Vortex Wiki cobre:
  • Guias de Ginásios e Ligas: O wiki fornece detalhes sobre todos os ginásios e ligas, ajudando você a entender como derrotar cada líder e a Elite 4 de cada região. Ele explica as equipes dos líderes, os tipos de Pokémon que eles usam e as estratégias recomendadas para vencê-los.
  • Captura de Pokémon Lendários: Um dos maiores desafios em Pokémon Vortex é capturar Pokémon lendários. O wiki explica claramente como obter as Insígnias (Ribbons) necessárias para que esses Pokémon raros apareçam nos mapas e onde exatamente você pode encontrá-los depois disso.
  • Itens e Evoluções: Precisa de uma pedra de evolução ou quer saber qual item usar para evoluir um Pokémon específico? O wiki tem uma seção detalhada sobre todos os itens disponíveis no jogo, como Evolution Stones, e como usá-los para evoluir seus Pokémon.
  •  Eventos e Recompensas Especiais: O wiki mantém você informado sobre os eventos sazonais e recompensas exclusivas que surgem periodicamente no jogo. Participar desses eventos é essencial para obter Pokémon ou itens que não estão disponíveis normalmente.
  • Guias de Mapas e Localizações: Se você está tentando encontrar um Pokémon específico ou explorar uma nova área, o wiki fornece mapas detalhados e guias de localização que mostram onde e quando certos Pokémon aparecem.

O Pokémon Vortex Wiki é atualizado regularmente pela comunidade e pelos desenvolvedores do jogo, garantindo que você sempre tenha as informações mais precisas e úteis ao seu alcance. Se houver alguma dúvida ou se você estiver travado em alguma parte do jogo, o wiki é o lugar certo para encontrar a solução.
Acesse o wiki para tirar dúvidas, aprender novas estratégias e garantir que você está aproveitando ao máximo tudo o que Pokémon Vortex tem a oferecer.
Conclusão
Pokémon Vortex pode não ser um jogo moderno com gráficos de última geração, mas ele traz consigo toda a magia da série Pokémon em sua forma mais pura e acessível. Se você já jogou, sabe do que estou falando. Se ainda não, está na hora de descobrir por que esse jogo ainda conquista corações após tantos anos. Prepare suas Poké Balls, escolha seu time e boa sorte na sua jornada!
NOTA:
8
/10

sábado, 18 de maio de 2024

Mortal Kombat (Trilogia Clássica)

O ano era 2004. Para ser mais específica, 3 de janeiro, o primeiro sábado do ano. Minha família havia sido convidada para um churrasco, presumivelmente pós-Ano Novo, na casa de um amigo do meu pai, um tal de Zago. Era o típico churrascão brasileiro de classe média, reunindo amigos e familiares, fartura de carne e cerveja, um almoção com arroz e vinagrete, churrasqueira improvisada, música alta e conversas mais altas ainda. Não era exatamente a minha praia – eu tinha apenas 7 anos (embora, na minha cabeça, isso já fosse muito).
Enquanto o churrascão à moda brasileira rolava lá fora, no quintal de concreto, eu ficava dentro da casa, junto ao filho do tal Zago, que tinha uma idade bastante próxima da minha. Quando vi o que ele tinha no quarto, o churrasco passou a valer a pena. Adivinhem o que era. Um videogame, o Sega Genesis. Também conhecido como Sega Mega Drive, esse era um console que, no Brasil dos anos 90, era um competidor direto do famosíssimo Super Nintendo. Embora houvesse uma intensa rivalidade entre esses dois videogames, a verdade é que essa foi a primeira e última vez que vi, com meus próprios olhos, um Sega Genesis, enquanto o SNES era uma febre. Como a minha realidade sempre foi a de uma criança de classe média, esse tipo de videogame dos Anos '90 só ficou acessível para nós na primeira metade dos Anos 2000.

De todo modo, é aqui que essa contextualização pretendia nos trazer: embora aquele console preto fosse algo novo e desconhecido para mim, o jogo que o filho do Zago colocou para jogarmos era um game bastante familiar: nada mais, nada menos que Ultimate Mortal Kombat 3, provavelmente o MK mais icônico da história dos jogos. Essa é a memória mais vívida que tenho dessa época, quando a internet ainda estava engatinhando, a vida era mais simples e havia muita união familiar. É a época de TV Globinho, Dragon Ball Z, Cavaleiros do Zodíaco, Jackie Chan... Como sempre digo nas análises aqui do blog, só sabe o peso da nostalgia quem de fato esteve lá, vivenciando tudo isso, sabendo hoje que é um tempo que não volta mais.
Mas, sim, retornando a esse engatinhar da Mortal Kombat (feito em 16-Bits, também conhecido como a 4ª geração dos consoles): há também outra memória, essa um pouco mais turva, de eu colocar os olhos, pela primeira vez, no Mortal Kombat [1] de Super Nintendo. Esse jogo, que posso tranquilamente classificar como o MK mais arcaico que já joguei, é uma releitura do "Mortal Kombat" original, lançado nos arcades, que deu início à franquia. Ele é bem rudimentar e limitado, mas tem uma atmosfera e uma sonoplastia impecáveis, o puro creme da nostalgia dos Anos '90. Isso também aconteceu na casa de um amiguinho de infância, o que reforça a minha tese de que, antigamente, na falta de computadores e smartphones, os videogames eram a verdadeira pérola tecnológica dos lares brasileiros.
Os churrascos de família eram mais do que apenas uma refeição; eram eventos onde se compartilhavam histórias, risadas e momentos preciosos. Enquanto os adultos se reuniam em torno da churrasqueira, discutindo sobre futebol e política, nós, crianças, encontrávamos refúgio nos videogames ou se aventuravam em brincadeiras no quintal. Esses momentos de diversão simples e despretensiosa são uma lembrança doce de uma infância livre e descomplicada, numa época em que os smartphones ainda eram raríssimos.
Agora, adentremos na história e no legado da saga Mortal Kombat dos Anos '90. Vejamos o que nos ensina a Inteligência Artificial após uma profunda busca na internet:
A história do Mortal Kombat nos anos 90 no Brasil e em todo o mundo é marcada por sua inovação no gênero de jogos de luta, introduzindo um nível de violência e realismo gráfico que mudou a indústria dos videogames. Mortal Kombat nasceu da influência dos filmes de ação dos anos 80, trazendo para o universo dos jogos uma combinação de artes marciais e fantasia com um detalhe que se tornaria sua marca registrada: os Fatalities, movimentos finalizadores extremamente violentos. Essa característica, além de sua jogabilidade e gráficos digitalizados realistas, não apenas estabeleceu Mortal Kombat como um dos jogos de luta mais influentes, mas também contribuiu para a criação do sistema de classificação de jogos ESRB*, em resposta à preocupação pública com o conteúdo violento dos jogos. [*Organização americana que analisa, decide e coloca as classificações etárias indicativas para jogos eletrônicos.]
Nos anos 90, com a popularização dos videogames domésticos e a tecnologia de gráficos avançada, Mortal Kombat encontrou um público maior, e sua chegada provocou debates sobre a influência da violência dos videogames nos jovens. A polêmica em torno do jogo nos Estados Unidos, particularmente após a declaração do senador Joseph Lieberman sobre a violência explícita do jogo, levou à criação do sistema de classificação de videogames pela ESRB, destinado a informar os pais sobre o conteúdo dos jogos. Apesar das controvérsias, a franquia Mortal Kombat continuou a crescer, inovando com cada lançamento e expandindo seu universo com filmes, séries animadas e merchandise.
 Com toda certeza, o legado deixado pela trilogia Mortal Kombat clássica nos Anos '90 e 2000 deixou uma marca permanente na cultura dos videogames, sendo lembrada e reverenciada não apenas pelos seus avanços técnicos e artísticos, mas também pelo impacto cultural e social que provocou.
Agora, vamos a uma análise pessoal e subjetiva, minha, da forma como eu, pessoalmente, entendo e situo cada um dos jogos da trilogia.
Mortal Kombat 1 (SNES):
O Início de Tudo
Mortal Kombat 1 é o mais rudimentar de todos, e acredito que foi ali que a semente de Mortal Kombat foi plantada, embora o jogo seja originalmente de arcade. Foi nesse jogo que Mortal Kombat realmente começou. É rudimentar no sentido mais puro da palavra; é básico e carece de muitos recursos, mas já apresenta uma essência marcante, na estética. A sonoplastia de Mortal Kombat 1 é impressionante, com uma trilha sonora e efeitos muito característicos.
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Mortal Kombat 2 (SNES):
Aprimoramento e Evolução
Mortal Kombat 2, por sua vez, é, na minha opinião, o primeiro Mortal Kombat completo. Considero o Mortal Kombat 1 um rascunho, uma primeira tentativa, para o que viria a ser Mortal Kombat 2. Este jogo contém a essência de Mortal Kombat e, ao mesmo tempo, apresenta resultados satisfatórios. A qualidade dos cenários é impecável, oferecendo uma imersão visual que o primeiro jogo não conseguia alcançar. A trilha sonora, em especial, deu um salto de qualidade inacreditável. Apesar do nível de dificuldade contra a máquina ser bastante elevado, Mortal Kombat 2 trouxe uma evolução significativa para a série.
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Ultimate Mortal Kombat 3 (SNES & SEGA MD):
O Ápice da Série Clássica
A dificuldade de jogar Mortal Kombat, especialmente o Ultimate Mortal Kombat 3, é extrema, ainda maior do que no segundo jogo da série. Além disso, ele se destaca pela complexidade e pelos gráficos impressionantes para a época, que me lembram o design isométrico de The Sims 1. Na minha análise de The Sims 1, mencionei que seu gráfico isométrico o torna eterno – ele não envelhece, é perfeito na sua isometria. Da mesma forma, os gráficos de Ultimate Mortal Kombat 3 permanecem como um marco visual, representando o ápice gráfico da época. Em contrapartida, os gráficos de Mortal Kombat 1 e 2 envelheceram rapidamente, embora contenham a essência do que viria a ser alcançado em Ultimate Mortal Kombat 3. Para mim, Ultimate Mortal Kombat 3 é o principal jogo de toda a franquia clássica, sendo essa a única parte da franquia sobre a qual posso falar com propriedade.
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Os personagens também são uma parte essencial do que torna a franquia Mortal Kombat tão especial. Cada um dos ninjas, especialmente Sub-Zero e Scorpion, traz uma identidade única ao jogo. Além deles, temos heróis icônicos como Kung Lao, Liu Kang e Raiden, que são fundamentais para dar alma à narrativa e à experiência de jogo. A diversidade de personagens, com suas histórias e habilidades distintas, enriquece o universo de Mortal Kombat e nos cativa de forma duradoura e singular.
Os outros ninjas, como Smoke, tanto na sua versão humana quanto robótica, e Reptile, adicionam camadas de complexidade ao enredo. Os personagens cibernéticos como Cyrax e Sektor trouxeram um elemento futurista e inovador. E não podemos esquecer do enigmático Noob Saibot, que mais tarde fez uma dupla icônica com Smoke em Mortal Kombat: Deception.
As personagens femininas, como Kitana e Mileena, além de Sonya e Sindel, já estavam presentes desde a década de 90. Embora fossem estereotipadas e objetificadas em certa medida, sua presença era significativa e adicionava diversidade ao elenco, mostrando que Mortal Kombat estava à frente de seu tempo.

Entretanto, nem tudo são flores. Uma crítica central que quero aqui destacar, e que permeia não apenas a trilogia clássica, mas a franquia Mortal Kombat como um todo, é a questão da difícil mobilidade e da sensação de movimento rígido dos personagens. A falta de tridimensionalidade é um problema que acompanha quase todos os jogos da série. Desde os primeiros títulos, aqui analisados, até os lançamentos mais recentes, a mobilidade dos personagens é mais ou menos restrita, resultando em combates que normalmente parecem truncados, o que já foi naturalizado e aceito por aqueles que amam a franquia.
Essa falta de mobilidade cria uma dificuldade adicional, especialmente ao jogar contra a máquina, que possui um tempo de resposta muito menor do que o nosso como seres humanos. A rigidez dos movimentos faz com que seja três vezes mais difícil enfrentar os oponentes, dificultando a experiência de jogo.
Em relação a essa limitação rígida à jogabilidade, a exceção mais notável dentro da franquia é Mortal Kombat: Shaolin Monks, que conseguiu implantar uma mobilidade verdadeiramente fluida, oferecendo uma experiência de jogo única e imersiva. Além disso, o modo Konquest, presente em alguns dos jogos da franquia MK, também quebra a regra da falta tridimensionalidade, embora, nesse caso, ela não se aplique ao combate.
A introdução da tridimensionalidade na franquia Mortal Kombat começou a ser efetivamente implementada a partir de Mortal Kombat 4, lançado para PlayStation 1, que trouxe uma semi-tridimensionalidade aos combates. Essa mudança representou um passo significativo para a série, mas ainda não foi suficiente para superar completamente a sensação de movimento rígido, o que foi feito somente em Shaolin Monks.
Por fim, embora Mortal Kombat tenha revolucionado o gênero dos jogos de luta e tenha um legado inquestionável, a questão da mobilidade limitada é um ponto crítico que sempre esteve presente na série, afetando a jogabilidade e a experiência do jogador.
Concluir essa viagem nostálgica é reconhecer que cada versão de Mortal Kombat tem seu próprio lugar especial na evolução da série e na memória dos jogadores. Mortal Kombat 1, com sua simplicidade e essência sonora, plantou a semente; Mortal Kombat 2, com seus cenários impressionantes e jogabilidade refinada, consolidou a base; e Ultimate Mortal Kombat 3, com sua complexidade e apelo global, eternizou a franquia. Cada jogo, com suas características únicas e momentos inesquecíveis, compõe um legado que transcende gerações.
Revisitar esses jogos é como abrir um baú de memórias, onde cada partida traz de volta uma época em que a vida era mais simples e os jogos eram um portal para mundos de fantasia e aventura. A estética e a sonoplastia de Mortal Kombat incorporam a nostalgia de formas inexplicáveis, criando uma conexão emocional que vai além do simples ato de jogar.
Para mim, a trilogia clássica de Mortal Kombat é o verdadeiro Mortal Kombat. Tudo que veio depois foram apenas evoluções, algumas bem-sucedidas, outras nem tanto. Mas é essa trilogia que captura a essência da série, a magia daqueles tempos e a simplicidade que fez dos jogos uma parte tão importante da minha vida. Mortal Kombat não é apenas uma série de jogos; é uma viagem nostálgica que nos lembra de onde viemos e como esses momentos moldaram nossa paixão pelos videogames.
NOTA:
7,5
/10

sexta-feira, 10 de maio de 2024

Fruitger Aero

O que acontece quando misturamos um olhar esperançoso sobre o futuro com um toque nostálgico dos anos 2000? Surgem tendências como o Frutiger Aero, uma estética que traduz otimismo em forma de luz, cor e texturas encantadoras. Vamos explorar essa ideia que é puro frescor visual.

Essa estética nasceu em um momento muito específico da história: o início do novo milênio. Naquela época, havia uma empolgação no ar — o futuro parecia promissor, quase tangível. Dentro desse contexto, o Frutiger Aero apareceu como um reflexo desse otimismo, com seu brilho elegante, paletas aquáticas e uma vibração acolhedora que parecia dizer: “Sim, o amanhã será incrível!”

Mas por que, de tempos em tempos, o Frutiger Aero volta ao nosso imaginário? Talvez seja porque ele carrega consigo uma espécie de saudade de um tempo em que acreditávamos que tecnologia e natureza poderiam caminhar de mãos dadas. É quase um lembrete de como imaginávamos um futuro harmonioso e cheio de possibilidades.

No design de hoje, que muitas vezes abraça o minimalismo, o Frutiger Aero é como uma explosão de vitalidade. Ele se afasta da simplicidade absoluta, preferindo um maximalismo leve, onde brilho e cor se combinam de forma quase poética. Não é só estética, é uma declaração de otimismo. Não à toa, empresas modernas têm resgatado essa vibe para transmitir ideias de sustentabilidade e inovação tecnológica.

Lembra do charme do Windows Vista ou daqueles papéis de parede que pareciam capturar a essência da natureza em alta definição? Esse é o coração do Frutiger Aero: uma fusão de aventura e familiaridade, onde elementos naturais e digitais coexistem em perfeita harmonia. Ele nos envolve como uma brisa fresca no meio do caos contemporâneo.

No TikTok, o Frutiger Aero está em alta! Sua influência aparece em designs inspirados em dispositivos do início dos anos 2000, mas também em representações futuristas que não deixam de ser calorosas e humanas. Esse estilo prova que design pode ser tanto funcional quanto acolhedor.

Mais do que um conjunto de cores e formas, o Frutiger Aero carrega uma mensagem poderosa: a de que é possível sonhar com um futuro onde tecnologia e humanidade não são forças opostas. Num mundo que, muitas vezes, parece perdido em complexidades, ele nos convida a simplificar, a reencontrar a beleza e o otimismo em coisas que antes dávamos como certas.

Quer experimentar um pouco dessa energia no seu dia a dia? Que tal trocar o papel de parede do seu computador por algo que misture o natural com o tecnológico? Ou talvez adotar acessórios em cores vibrantes que capturem essa vibração? Designers e marcas também podem mergulhar nesse universo, criando experiências visuais que evocam nostalgia e inovação em igual medida.

Exemplos emblemáticos como o MSN Messenger ou os famosos abajures aquáticos são memórias vivas dessa estética. Eles encapsulam uma era em que a conexão e o design eram mais do que funcionais — eles tocavam algo mais profundo, algo que nos fazia sentir parte de algo maior.

O Frutiger Aero é, no fundo, um lembrete de que sonhar com um futuro mais colorido e otimista nunca sai de moda. Ele nos desafia a imaginar e a criar algo que não só funcione, mas também inspire e transforme.

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

GTA: San Andreas

        Hoje vamos falar do jogo que é, sem sombra de dúvidas, o ápice do PlayStation 2 e, provavelmente, o jogo mais relevante da primeira década dos anos 2000. Lançado em 2004, "Grand Theft Auto: San Andreas" (ou simplesmente "GTA: San Andreas") entrou para a história dos videogames e conquistou um cantinho no coração e nas memórias de todos aqueles que o jogaram à época.
        Na análise de hoje, vamos entender e relembrar como e por que GTA: San Andreas se tornou o jogo – não "um", mas "o jogo" – que marcou gerações inteiras e, até os dias de hoje, é considerado imbatível em muitos aspectos. Desde o seu mundo aberto, passando pelas músicas geniais das rádios, até a história envolvente, não existe nada que se compare a GTA:SA.
        Para entendermos a fundo, trago aqui duas análises completíssimas de dois youtubers que fizeram um trabalho maravilhoso, explicando tim tim por tim tim do que, exatamente, torna GTA:SA inesquecível. A primeira análise é do vídeo "Por que GTA: San Andreas é tão marcante? (Nostalgia GTA)", do youtuber Holmes. Veja a seguir.
        O GTA San Andreas: muitos jogaram no PlayStation 2 na época de moleque; outros, nas incríveis Lan Houses; e uns só conseguiram jogar quando o game saiu para celular. Em questão de portabilidade, GTA:SA está no mesmo nível de Skyrim, porque esse GTA tem para todos os consoles; se duvidar, até no seu microondas roda.
        Mas a questão é: por que um game tão velho ainda é tão ativo e tem uma comunidade tão grande, que, mesmo depois de anos, ainda é bastante ativa? Por que o GTA:SA é um jogo tão marcante? Vou falar sobre as coisas que realmente o alavancaram e fizeram GTA:SA ser o jogo que ele é hoje; aqueles pontos que fizeram diferença e que marcaram a gente durante muito tempo.

1. Liberdade
        De longe, o que mais chamou a atenção, na época do lançamento do GTA:SA, foi a incrível liberdade que o jogo te dava e a incrível variedade do que você poderia fazer no game. Você poderia ser muito bem um policial, um ladrão, um enfermeiro, um motorista, um bombeiro e muitas outras coisas que faziam ter uma gigantesca imersão no jogo, além das três gigantescas cidades que o game te disponibilizava: Los Santos, San Fierro e Las Venturas, cada uma com uma pegada diferente, com biomas e até NPCs diferentes, que faziam perder a noção do tempo com tanto conteúdo e coisas para serem exploradas. Mistérios, easter eggs, curiosidades: era só um pouco do que aquele mapa incrível escondia.
        Os veículos de GTA:SA também eram grandes atrações, que faziam literalmente você se esquecer das missões principais e simplesmente "ficar por aí" andando de moto, de carro, de JetPack ou até de avião-caça. Me diz aí quem nunca pegou uma moto no GTA:SA, sintonizou naquela radiozona insana - que só tinha músicas tops, meus amigos - e ficou dando voltas pelo mapa, sem rumo, apenas curtindo o momento.
        Eu acho que você já entendeu a magnitude de quão vasto é o mundo aberto de GTA:SA. Isso porque eu nem falei das guerras de gangue, sistemas de relacionamento, armamentos e, meus amigos, até bilhar (sinuca) a gente podia jogar, já pensou? Também tinha aquelas corridas que a gente podia fazer quando a perícia com o carro ia aumentando
        E lembrando que tudo isso era rodado no PS2, que rodava estralando, e isso era uma coisa fora do comum, já que quase todos os games da época eram lineares, como "Resident Evil 4", "God of War", "Dragon Ball Z: Budokai Tenkaichi 3", "Downhill Domination" e muitos outros, que eram jogos bons, realmente, mas que não tinham o mundo aberto, nem te davam liberdade para estar fazendo algumas escolhas. Claro que também existiram outros games de mundo aberto, mas nenhum com a densidade de GTA:SA; o único game que chegou perto disso foi o "Bully", que também tinha um mundo aberto fenomenal.
        Na minha opinião, o mundo aberto e a liberdade que o GTA:SA deu foi um dos principais motivos de o game ser tão bom e até hoje o game ser usado como conteúdo, tanto no Youtube quanto para a galera nova que nunca jogou e está a fim de jogar o jogo.

2. Detalhes
        A gente sabe que a Rockstar Games sempre caprichou nos detalhes dos seus games, mas o que ela fez com GTA:SA foi absurdo demais, se considerarmos que o game foi planejado para rodar num PS2. E esses detalhes realmente fazem a diferença na gameplay, já que eles dão muito mais imersão pro player. Por exemplo: em uma missão , se o C.J. estiver um pouco acima do peso, ele não vai conseguir fazer a missão, porque ele vai estar muito pesado para conseguir voar com a JetPack. E isso era uma parada totalmente absurda na época, já que a maioria dos games não tinha esse nível de detalhamento.
        Embora às vezes sejam detalhes que ninguém percebe, eles fazem total diferença na gameplay. E esses detalhes, de toda forma, mudam a maneira que o jogador interage com o game, já que ele vai ficar curioso e tentar achar mais coisas, mais detalhes, mais segredos. Um exemplo disso são os próprios canais do YouTube, como o GigaTon Games, em que ele mostra segredos e detalhes de GTA:SA que você nunca imaginou existir. Ou seja, o detalhamento e o polimento que o GTA:SA teve na sua produção ajudou muito a imortalizar o jogo.

3. Personagens e história
        O GTA:SA se tornou o que ele é hoje graças à sua incrível história e por ter muitos personagens carismáticos. Vai me dizer que você nunca viu um meme do C.J. por aí na internet ou então aquela clássica fala do Big Smoke: "All we had to do was follow the damn train, C.J.!"
        O GTA:SA é infestado de personagens carismáticos para caramba, como o misterioso The Truth ou então o maluco que dá aquelas missões horríveis para você, que é o Mike Toreno, além dos membros da Grove Street, o Sweet, o Big Smoke e o Ryder. A questão é que o jogo desenvolve bem cada um desses personagens, mostrando todas as faces deles. Quando eu era moleque, eu era amarradão no Ryder, só pelo estilo dele de andar, de agir, só pela drip, sabe?
        E o Modo História do game? Acho que o GTA:SA foi o primeiro jogo que eu joguei que eu realmente foquei em entender o que estava acontecendo ali. Isso porque de alguma forma o jogo atiçou a minha curiosidade para eu entender certas coisas que aconteceram no game. Por exemplo: quem tinha matado a mãe do C.J.? E por que o Big Smoke não morava mais na Grove Street?
        O Modo História vai te envolvendo, coisa que eu sinto falta nos jogos de hoje em dia, que pecam em questão de história, aqueles que literalmente falam tudo logo de cara, toda a história, tudo que está acontecendo naquele mundo, coisa que deixa o game meio chato, já que você não vai ter aquela emoção de descobrir aos poucos o que está acontecendo ali. E o GTA:SA faz isso muito bem, já que ele vai te dando pistas no começo do game sobre o futuro da história e, aos poucos, ele vai te revelando mais e mais. Tanto que as comunidades de GTA:SA focadas no Modo História ainda são bem ativas.
        Das missões do jogo nem se fala. É cada missão, que às vezes você para e pensa: "É sério que o C.J. vai fazer isso, cara? É sério que ele vai invadir uma base militar para roubar um negócio que o maluco nem sabe o que é?" Talvez por essa e outras o Modo História de GTA:SA é tão bom. E por incrível que pareça, ainda há pessoas que não curtem o Modo História do jogo, acreditem se quiser.

4. Easter Eggs e Mistérios
        Essa aqui é uma menção bem honrosa, já que realmente algumas coisas aqui foram frutos da criatividade da comunidade. Na necessidade de mais coisas no GTA:SA, a comunidade acabou criando vários mistérios e lendas urbanas dentro do game, como o mistério do Pé Grande, do possível Serial Killer do game, os OVNIs na Área 51, o Bar dos Aliens no deserto. Várias teorias como essas foram criadas e, por muito tempo, foram alimentadas com vídeos fakes na internet. Isso porque o mundo de GTA:SA é muito grande; realmente, de vez em quando, coisas meio sinistras podiam ser encontradas no mapa. Mas muitas dessas lendas não passam de pulgas atrás da orelha, infelizmente.
        E dos Easter Eggs – referências secretas – nem se fala. O game veio repleto de menções a rappers, a filmes, a tudo, galera. Até o Easter Egg que dizia "aqui não tem um Easter Egg" foi encontrado; que, para quem não sabe, é em cima daquela ponte [vermelha] de San Fierro.
        E grande parte do sucesso de GTA:SA realmente veio dessas lendas e mistérios criados pela própria comunidade, e que formaram um nicho diferente no game.

5. Conclusão
        A questão é que GTA:SA é um jogo completo: tanto em história, quanto em jogabilidade e portabilidade. E por ser realmente único, continua fazendo fãs até hoje.
        De fato, em termos de mundo aberto e detalhista, GTA: San Andreas foi absolutamente pioneiro. Essa sempre foi minha parte favorita: explorar e aproveitar a liberdade que o jogo oferece. Quando criança, eu costumava visitar meu primo, que tinha um PlayStation 2 naquela época, e passar horas a fio explorando o mapa de GTA:SA, apreciando cada detalhe. Mesmo após conhecer o mapa como a palma da minha mão, continuava descobrindo detalhes e segredos anteriormente não percebidos. Ainda hoje, ao voltar às raízes e jogar GTA:SA no PC (com a vantagem de poder jogar online, com o GTA: San Andreas MultiPlayer, ou simplesmente GTA:SAMP), me divirto explorando e descobrindo os detalhes espalhados pelo imenso mapa.
        Minha paixão por fotografia, cultivada desde a infância, encontra um paralelo fascinante no jogo. Desde pequeno, enquanto explorava o mundo de GTA:SA, eu fazia questão de registrar com a câmera do C.J. as minhas perspectivas., imortalizando as cenas e paisagens que me encantavam. Agora, anos depois, mantenho um blog exclusivo para compartilhar essas fotografias de GTA:SA. É uma forma de expressar minha paixão pela fotografia, mas no contexto deste microverso gamer. Cada foto é um pedaço da minha experiência, uma janela para ver GTA:SA sob minha ótica pessoal.
        É um jogo que, em sua amplitude e detalhismo, transmite uma enorme sensação de tranquilidade e de imersão. Não é apenas um jogo, mas uma outra realidade a ser desbravada, produzida nos mínimos detalhes – ainda que haja as limitações gráficas próprias da época.
        Quanto aos Easter Eggs & Mistérios, essa parte da comunidade online de GTA:SA é extremamente curiosa. Há muitas teorias: algumas falsas, outras explicadas por bugs e algumas que até fazem sentido. De qualquer maneira, todas são fascinantes e vale a pena dar uma aprofundada no assunto. Felizmente, o youtuber @Renatows fez um vídeo completíssimo, "O Iceberg de GTA: San Andreas" (22 minutos), destrinchando esse tema. Esse vídeo é essencial para fãs de GTA:SA e você pode assisti-lo clicando na imagem logo abaixo. Ao assistir ao vídeo, você percebe que a influência de GTA:SA é tão marcante que um dos easter eggs foi concretizado na Ponte Golden Gate de São Francisco (CA), na vida real – um exemplo perfeito de quando "a vida imita a arte".


      Lembram da pirâmide negra em Las Venturas, com sua imponente esfinge egípcia? Um ícone para qualquer jogador de GTA:SA... Tal monumento majestoso é, na verdade, uma réplica virtual do Luxor Hotel and Casino, um marco de Las Vegas no mundo real. Esta representação em GTA:SA é uma verdadeira celebração da linha sutil entre realidade e ficção, um testemunho da habilidade do jogo em refletir e homenagear locais emblemáticos.
        Bom, agora peço que o leitor segure o fôlego, pois iremos conferir uma análise ainda maior que a primeira: vejamos a análise feita pelo youtuber Peter Jordan, do canal Ei Nerd: "Por que GTA: San Andreas é o melhor?" Garanto que a leitura vale a pena.
        A franquia GTA, como um todo, é uma das franquias mais populares do mundo dos games; e dentro dessa franquia, o GTA: San Andreas é o favorito de uma parcela gigantesca dos fãs. GTA V pode até estar no topo das paradas, não só da franquia GTA, mas também dos games de maneira geral; ele e Minecraft competem, brigando pelo topo da lista dos jogos mais vendidos e mais influentes na história da indústria. Mas, antes desse monstro (GTA V) ser lançado, o GTA favorito da maioria da galera era o GTA: San Andreas.
        Quando GTA: SA foi lançado, os maiores exemplos de jogos de mundo aberto eram justamente os games anteriores da franquia: GTA III e GTA Vice City. Os dois são jogos excelentes, são muito bons, têm vibes únicas, extremamente marcantes. Mas o GTA: SA tem um diferencial: ele explora a Califórnia e a lei das ruas. E trouxe uma das temáticas mais envolventes que a franquia já teve: em vez de explorar as máfias, no estilo O Poderoso Chefão ou Scar Face, a gente agora está lidando com gangues, bandidos de rua, drogados, policiais corruptos e racistas, e por aí vai. Isso já chamou a atenção e cativou a galera, que ficou interessada em saber mais da luta da Grove Street para se reerguer.
        Outra coisa que chamou a atenção nesse game foi a variedade de coisas para se fazer. A primeiríssima coisa que está lá disponível para a gente fazer, quando acaba a cena inicial do jogo, é pegar uma bicicleta. Essa foi a primeiríssima vez que a gente pôde pegar um veículo não motorizado no GTA. Parece uma parada simples, mas é a simplicidade fazendo a diferença, porque mostra que eles estão indo mais na intimidade da parada. Eles querem ser mais detalhistas na construção desse mundo. Quando a gente começa a explorar a cidade, descobre várias coisas para se fazer: a gente pode cortar o cabelo, fazer a barba, fazer tatuagem; malhar para ficar estilo saradão, comer para caramba até ficar gordão; ir para a balada, pode namorar... A lista continua... A gente pode trocar de roupa, e não são roupas pré-selecionadas igual ao Vice City; estou falando de ir na loja, entrar no provador, trocar peça por peça... Camisa, calça, tênis, luva, boné, óculos, cordão; o que você quiser, dá para trocar. A gente pode personalizar a aparência do C.J. E tem o diferencial de que cada loja tem peças de roupa diferentes, para deixar mais realista, o que é muito legal. A gente pode trocar de roupa a hora que a gente quiser também; basta voltar para casa e ir para o armário. Para a época, isso é muito top, top demais; poucos games tinham esse nível de personalização. Fora que, pela primeira vez na franquia, o nosso personagem podia nadar [e mergulhar]! Se você só joga os jogos atuais, você não tem noção da diferença que isso fez.
        Outra coisa que é bem legal nesse sentido de ambientação é a opção de comprar casas. Tem casas compráveis espalhadas por todo o mapa do jogo. Basta a gente reunir grana e comprar. A sensação de você conseguir comprar aquela casa na praia, ou aquela mansão nas montanhas, é priceless (sem preço); só quem jogou vai entender o que estou falando agora.
        Ah, e tem também os veículos. GTA: SA tinha a maior quantidade de veículos da franquia até então, até aquele momento. A gente podia pilotar carro, moto, caminhão, bicicleta, jetski, barco, lancha, avião, jato, helicóptero, veículos de fazenda, tanques de guerra e até mochila a jato, a JetPack! O cheat (código) do JetPack é bom demais. Tinha até como pular de paraquedas. Mas assim, o cheat do JetPack... Eu não me lembro de ter encontrado qualquer JetPack em qualquer outro jogo. É muito satisfatório estar lá, voando pela cidade... É demais.
        E o C.J. é outro motivo para o pessoal amar esse game. Talvez o personagem mais amado da história dos games; pelo menos para muita gente. Carl Johnson é um dos protagonistas mais carismáticos da franquia, se não for o mais carismático de todos. Um cara em conflito entre mudar de vida e viver as raízes dele. Ele é perfeito, ele é um gangster, metido em paradas erradas direto. Quando tem que matar, ele mata. Comete vários crimes durante a história, mas ele é gente boa para caramba. E, acompanhando a história dele, a gente se sente próximo do personagem.
        Mas não é só o C.J. que ganhou a simpatia da galera. O elenco todo do GTA:SA é sensacional: Sweet e a devoção dele pela gangue; o traidor do Big Smoke; o pilantra safado do Keplin; o drogadão do The Truth; o chinês cego Use; a maluca da Catalina e assim por diante.
        Uma coisa que GTA:SA tem de melhor que os outros títulos da franquia é o mapa. Dessa vez, a gente não está só mais numa cidade; estamos num estado. No GTA III e no Vice City, vamos liberando cenários conforme passamos nas missões. Mas essas áreas liberadas são apenas novas regiões da mesma cidade em que o jogo se passa. No GTA:SA, também temos áreas que liberamos com o tempo, mas essas áreas são cidades inteiras. Começamos o jogo com Los Santos, depois vamos para San Fierro e, após isso, para Las Venturas; isso fora a área rural, que também podemos visitar. Nossa, lembrando, é bom demais. Ou seja, galera, esse é o jogo com a maior variação de cenários de toda a franquia. Eu diria que tem mais variação até do que GTA V, mesmo com o mapa bem menor.
        E o mais louco é que GTA:SA foi o único GTA que fez isso até hoje. Depois dele, veio o GTA IV e as expansões deste, que se passam só em Liberty City; e depois veio o GTA V e o GTA Online, que se passam só em Los Santos e nos arredores ali. GTA:SA é o único GTA onde podemos ir e vir à vontade em três cidades grandes. Isso até hoje é um grande diferencial.
        GTA:SA tem uma vibe que poucos jogos trazem. Além da ambientação top, que é a Califórnia, tem também a questão do jogo se passar nos anos '90. Assim como um dos maiores charmes do Vice City é se passar nos anos '80, um dos maiores do San Andreas é se passar nos anos '90. Os carros, as músicas, os estilos de roupa: tudo remete aos anos '90.
        Sobre a gameplay, nem tenho muito o que falar. O jogo tem praticamente as mesmas características dos jogos anteriores, o que significa que só mantiveram o que já era bom. E olha que nem falei das coisas que os próprios fãs fizeram com o jogo. Quem não lembra dos MODs de GTA:SA? Os famosos GTA: Rio de Janeiro e GTA: São Paulo? Ou os mais loucos, como o GTA: Dragon Ball?
        Não é à toa que GTA: San Andreas é considerado o melhor GTA de todos. Mesmo com a nova geração chegando poucos anos depois, esse jogo continua marcado. Até porque a Rockstar optou por outra pegada no GTA IV, e por causa disso, vários elementos que fizeram os fãs amarem GTA:SA foram tirados do novo jogo. A galera reclamou e boa parte do que foi tirado no GTA IV foi colocada de volta no GTA V. Aliás, o GTA V é quase que uma sequência direta do GTA:SA, já que é a mesma ambientação e aborda temas parecidos. Mesmo tendo universos diferentes, vemos que são meio parecidos.
        Mas mesmo GTA V tendo quase tudo que o GTA:SA tinha e vendendo muito, mas muito mesmo, GTA:SA ainda é o favorito de muita gente. Michael, Franklin e Trevor não conseguiram superar o carisma do C.J. Estou certo ou não? E a história dos três bandidos desleixados não cativou tanto quanto a história da Grove Street Family. Muita gente deve discordar disso, mas GTA:SA é um dos, senão o melhor GTA, e o mais importante da franquia. Ele virou padrão de qualidade. E mesmo o GTA V melhorando praticamente tudo que o San Andreas trouxe, isso não tirou o brilho deste, que é um dos jogos mais brilhantes da história dos videogames.
         Para concluir, precisamos falar sobre as rádios. Na história mundial dos videogames, a única coisa que pode competir com a experiência musical de GTA:SA é a trilha sonora da trilogia Donkey Kong Country, de Super Nintendo. Fora essa importante exceção, não existe nada que chegue ao nível das músicas das rádios de GTA:SA. A coisa mais épica possível é dirigir por aí, ou mesmo pilotar, seja fazendo missões, seja explorando por diversão, enquanto a rádio colore a atmosfera do jogo com as melhores músicas possíveis.
        Nesse sentido, eu não poderia deixar de exaltar o que eu, particularmente, considero serem as melhores estações das rádios do jogo: a K-DST, que apresenta o ápice do Rock Clássico, e a K-Rose, o puro creme do Country Music americano. São músicas que até hoje estão na minha mente e que, ao ouvir, imediatamente me remetem à época de ouro da minha infância, em que eu passava longas tardes jogando GTA:SA no PlayStation 2 do meu primo.
        Em homenagem a essa obra-prima dos games que é o GTA: San Andreas, tenho dois projetinhos. O primeiro deles é uma playlist no Spotify dedicada a reunir as melhores músicas do GTA:SA, principalmente dessas duas rádios mencionadas acima, mas não apenas. Você pode ouvi-la clicando aqui. E o segundo projeto, já mencionado anteriormente, é o blog em que posto fotografias que faço dentro do jogo, com a câmera, retratando detalhes e ângulos que me inspiram a continuar apreciando e exaltando o legado do jogo, em toda a sua amplitude e atmosfera. Você pode conferir essas fotos clicando aqui.
        Bom, é isso. Com a ajuda dessas maravilhosas análises dos youtubers, acredito ter conseguido abarcar o principal de tudo aquilo que torna GTA:SA um "ponto fora da curva", um marco na história dos jogos. Mas, é claro, você só irá entender tudo isso que estamos dizendo quando jogar – seja pela primeira vez, seja retornando à nostalgia do jogo após muitos anos. E aí, está esperando o quê?

NOTA:
9,5
/10